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Matéria – Califórnia Dreams

Publicado em: 16 / abril / 2020

E aí pessoal? Meu nome é Ricardo Pavlovitsch Luiz, sou Long Bord free surf e apaixonado pela arte do esporte. Estou aqui para falar sobre um dos meus lugares prediletos, se não o mais legais da minha vida, onde tive experiencias únicas e inesquecíveis.

Tudo começou observando o circuito WT, onde reparei que tinham muitos Americanos na liga, e se dando muito bem, pesquisando, pude perceber que a grande maioria treinava nas ondas do estado da California EUA, então pensei “preciso conhecer este lugar, mas como vou fazer isso, logística, custo, dificuldades que poderia encontrar por lá, um pais que fala outra língua e que eu ainda não tenho domínio e uma cultura bem diferente da nossa”.

Mas eu tinha brother que estava morando lá, o Ricardo Ramires, que na época estava morando em Redondo Beach, na região de L.A, a mais ou menos 12 km do aeroporto de Los Angeles (L.A.X). Ele trabalhava em uma cafeteria chamada The Coffe Bean, e surfava nas ondas da região em seus dias de folga – Day off.

Quando entrei em contato com ele, me lembro de suas palavras como se fosse hoje, ele disse: Brow vem para cá, isso aqui é alucinante, tem todos os tipos de ondas pela costa da California e a vida aqui é muito justa, te arrumo um trampo na pizzaria do meu brother como entregador, e te encaixo em um quarto na casa de uns gaúchos que moram aqui perto, assim você pode começar.

Não pensei duas vezes, arrumei meu visto, passaporte, juntei uma grana e em três meses consegui comprar as passagens, arrumar minhas pranchas e me joguei. Me lembro que fui na vibe daquela música que dizia assim: AMOR EU VOU PARA CALIFORNIAAAAA, VIVER A VIDA SOBBRE AS ONDASSSS, VOU SER ARTISTA DE CINEMAAAAA O MEU DESTINO É SER STARS…

E assim foi! Cheguei lá em fevereiro, no período de inverno e fiquei os primeiros dias na casa dele, que dividia com o Gustavo, um gaúcho que me recebeu muito bem. Não conhecia a cidade, tinha dificuldade com a língua, só ele de amigo e sem emprego – F@d*u!

Mas logo no segundo dia entrou um swell, que encaixou com o day off do Ricardo, e ele me levou para minha primeira queda em El Porto, uma Praia que faz parte de Manhattan Beach e faz divisa com a refinaria de petróleo da Chevron, boas ondas, suporta ondas de mais de 1,5 metros.

Me lembro como se fosse hoje, do primeiro jacaré que fui fazer com minha prancha, lembre-se que sou Long Bord, o sentimento da minha cabeça entrando naquela agua gelada, minha pele queimando, os ossos estalando, e ao levantar a cabeça, aquele choque, aquela respiração profunda e o pensamento: Nossaaaaa!!  Não consegui ficar mais de 15 minutos dentro da água, e já sai correndo para o carro para me aquecer no ar, meus lábios já estavam roxos, meu corpo tremia como criança com frio  mas foi uma incrível.

Foi assim por um pequeno período, mas a cada queda, meu corpo se adaptava com a temperatura da água, quando menos percebi o frio já tinha passado e o prazer em estar naquela água, era sensacional. Comecei a surfar Redondo Beach, Paulos Verdes, Manhatan Beach e minha vontade de surfar só aumentava. A natureza, cor da água, os golfinhos que todas as manhãs não deixavam de vir até nós para dar bom dia, a qualidade das ondas realmente estava no paraíso.

Com o tempo, como qualquer desbravador comecei a me interessar por novos horizontes. Já com o trabalho engatilhado com o meu brother, no The Coffe Bean, ganhando um pouco mais, já estava conseguindo pagar minhas contas, aluguel, alimentos e conseguindo sair para mais longe.

Ouvindo as histórias dos gaúchos, em nossos encontros, me interessei pela região norte de L.A, ONDE FALAVAM DE UMA ONDA (MALUBU), uma direita perfeita em um fundo de pedras, onde só surfavam long boards, UALLLLLLLLLL! Na minha imaginação eu estava na Disneyland dos Long boards.

No meu primeiro day off no trabalho, não pensei duas vezes e me joguei para lá logo, sai madrugada para tentar chegar e ser um dos primeiros a entrar na água, ilusão minha, ao chegar já tinha uns 15 long boards no pico e uns 30 para entrar rs!!! O sonho estava virando pesadelo.

Preferi esperar e observar o pico, e falo como experiências para todos os surfistas: ao chegar pela primeira vez em um pico de surf, primeiro observam, preste a atenção nas ondas, onde quebram, se é fundo de pedra, onde as ondas quebram, o crowd, etc. Com certeza será muito mais interessante sua queda.

Bom, entrei e literalmente me senti na Disney em um dia de feriado rs! As ondas estavam entre meio metrão e um metro, água cristalina, fundo de pedra, e não passava uma onda sozinha, desciam dois, três, quatro as vezes até 10 na mesma onda, uma loucura.

Não vou negar que a primeira queda fiquei um pouco frustrado, ver aquelas ondas lindas abrindo infinitamente na bancada e não consegui entrar em uma onda, e as poucas que entrei uns 5 me rabiaram rs!

Com o tempo fui entendo a vibe de Malibu, o espírito de um long board, meu conhecimento de ser long board transcendeu de uma forma impressionante, até entender que ali estava o meca do long board mundial.

Surfei com os melhores long boars do mundo, sempre tinha um famoso na água, com o tempo, comecei a me sentir mais em casa, observando e tentando fazer igual a eles, minha evolução foi natural.

Aquela costa é incrível, rodando pela estrada a beira mar, vc encontra surfistas em toda a região, carros com pranchas no rack subindo e descendo. Fique com muita curiosidade de parar em outras praias, foi aí que tive a certeza que estava no lugar certo.

Ao redor de Malibu encontrei Topanga ( 30 minutos do aeroporto LAX) uma direita muito boa para intermediários, mais a cima, Nicholas Canyon ( 50 minutos do LAX) uma esquerda que quebra na frente de um canyon, uns 400 metros de onda, abre para uma baia de uns 4 km, uma onda que sempre fazia questão de parar e fazer um check. Do outro lado, nesta mesma praia, se encontra Leo Carrilho, uma direita longa e bem divertida. Realmente a costa norte da California é encantadora.

Como eu fazia para sempre estar por lá? A California tem uma estrutura de camping de primeiro mundo, em todos os meus day offs, e literalmente em todos mesmo, eu pega minha prancha fazia um lanche para comer de manhã, e ia para o camping de Malibu que ficava cerca de 1 hora de carro de redondo, lá eu acampava e ficava até o dia seguinte, surfando as ondas da região, vida de surfista, “the search” da melhor qualidade.

Quando já estava em Redondo Beach por uns três meses, a nossa casa, era a casa da galera, gente entrando e saindo diariamente, uma vibe muito boa, várias amizades formadas por lá, gaúchos, cariocas, paulistas, bahianos e uma francesa, ficávamos todos juntos diariamente.

Um certo dia, depois de uma festinha em casa, alguém saiu e deixou uma vela acessa no carpete, que resultou em uma cena de filme americano, se liga… A casa pegou fogo por inteira, estávamos todos dormindo, quando os vizinhos começaram a gritar e o barulho das madeiras estalavam como estivessem quebrando, a gaúcha Daniela que morava na casa, foi nosso anjo da guarda, se colocou em perigo e conseguiu avisar todos que a casa estava pegando fogo.

Meu quarto era o último do corredor a esquerda, quando a Dani chegou, pulou em cima de mim gritando: Fogo! Fogo!! Eu sem entender nada pulei da cama com muito sono pois, tínhamos recém dormido e ao respirar, inalei a fumaça preta que já estava invadindo toda a casa, comecei a tossir, tossir, tossir e sem conseguir abrir os olhos fui direto na janela, para abri-la, ao abrir, o oxigênio entrou e o fogo veio com força total, não dando chance de pensar o que fazer, a não ser nos atirar pela janela onde estávamos no terceiro andar.

Subi em um criado mudo, a Dani me pegou pelas pernas me jogando para fora, para ela pular também, fui me segurando na beirada da janela, quanto mais ela me empurrava, mais eu ia para o lado me segurando até que ela se jogou. Segurando em minhas pernas e foi aí nossa sorte, ao se jogar fez um pêndulo e minha mão se soltou, acabamos caindo na varanda do segundo andar onde se encontrava a cozinha, ao olhar para cima consegui ver as labaredas de fogo saindo pela janela. Por obra do destino ninguém se machucou e todos saíram ilesos.

Começou aí uma nova aventura, dentro da aventura.

Na situação me encontrava, sem casa, sem roupas, sem absolutamente nada, a não ser meu passaporte que por milagre apareceu, todo preto e minha prancha que ficava na varanda. Ficamos sabendo da Red Cross, A Cruz Vermelha Americana, eles nos deram u$ 700,00 para divisão entre todos, e um item de casa para cada cômodo ex: um sofá, uma geladeira, uma cama, um armário, uma mesa, uma casa montada para recomeçar, incrível a estrutura americana.

Depois do ocorrido, foi cada um para um lado, eu fiquei morando na casa de uns vizinhos, a Dani foi para casa de uma amiga, e os outros três foram cada um para casa de amigos. Então chegou a hora, falei com o meu brother Ricardo: e aí mano? Agora é a hora da darmos aquele up grade, ouvia falar muito de uma praia chamada Huntington Beach, ficava a 1 hora de carro de Redondo, borá?

Tínhamos um brother do jiu-jitsu que morava lá, o Omar, e Graças a ele, conseguimos uma casa à uma quadra do píer de Huntington, que se encaixava no nosso orçamento. Naquela época, eu estava sem nada e me mudando para uma região mais ou menos 1 horas de redondo, somente eu e o Ricardo.

O Omar abraçou nossa causa e nos arrumou um emprego em uma fábrica de adesivo onde, comecei junto com o Rick. Foram dias muito legais! Trabalhamos com um jamaicano, um africano, americanos e, e um deles era punk, e uma brasileira, que era nossa gerente. Uma das coisas que eu mais gostava, era a hora do nosso almoço, todos comíamos rapidinho e íamos jogar basquete no fundo do Warehouse. Geralmente era Brasil vrs o resto do mundo, rs! Cenas de filmes que nunca vou esquecer essa energia, o sorriso no rosto de cada um, um lugar onde éramos felizes.

Neste mesmo período consegui, outro emprego no Luigi Tractória, um restaurante Italiano que ficava na parte superior do shopping, em frente ao píer, nooooosa! Me encontrava no melhor lugar que podia estar naquele momento.

Trabalhando em dois lugares, um no período da manhã e outro no período da noite, e em pouco tempo, conseguimos decorar nos apto, comprar um novo armário, tv, louças, som, sofá, cama etc. Mas não podíamos esquecer o que estávamos fazendo lá, nos dias de day off, de cada trampo, íamos surfar.

Após mais ou menos dois meses, e já estabilizados, larguei o trampo do adesivo e fiquei só no restaurante, que entrava para trabalhar as 18:00. Então me encontrei na melhor fase da trip, morando à uma quadra do píer de Huntington, trabalhando de frente para o mar e surfando todos os dias, ondas de 0,5 a 3 metros.

Huntington era demais, que lugar, que estrutura. Cheguei a pegar uma etapa do WCT, parou a cidade, montaram estruturas iradas, shows, pistas de skate e bike, tipo X-treme Games. A nossa galera de Redondo, vinham passar os finais de semana com a gente e fazer o barulho.

Agora na região de Orange County, sai para desbravar, e descobri que a costa é de ouro, New Port, Trestles, San Clemente, entre outros secrets, fazem parte daquela região onde conseguíamos surfar todos os dias com qualidade e segurança.

A California é um Estado completo tirando, o surf com ondas de altíssima qualidade, no inverno nós íamos fazer snow board nas montanhas próximas como Big Bear Mountain. Curtimos o Sixs Flags Magic Montain, um parque irado só de montanhas russas, para quem gosta, esse é o lugar. Também pegamos altas baladas em Hollywood, na região de Bervely Hills, é realmente incrível, onde se encontra uma gama muito grande de restaurantes, bares e casas noturnas.

Aproveitamos e esticamos até o Hawaii por um preço incrível, pegamos uma promoção local de aéreo e ficamos 14 dias no Hawaii, em plena semana de spring breack, mas isso aí e tema para uma segunda conversa.

Com tudo que nos aconteceu, as dificuldades, os presentes da natureza, a California nos abraçou, e em pouco tempo conseguimos passar por todas as dificuldades e aproveitar a viajem, sempre indico para amigos e família a California é um destino que não pode faltar.

Ricardo Pavlovitsch – Consultor de viagens.

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